Além da holding familiar: os fundos de investimento começam a ganhar espaço no planejamento patrimonial

Durante décadas, a holding familiar ocupou posição de destaque no planejamento patrimonial, sucessório e na governança das empresas familiares. Sua importância permanece inegável. Contudo, à medida que as estruturas patrimoniais se tornam mais complexas, outros instrumentos jurídicos começam a ganhar espaço.

Entre eles, destacam-se os fundos de investimento utilizados como instrumentos de organização patrimonial, em substituição ou, muitas vezes, em complemento às tradicionais holdings.

Embora a maioria das pessoas associe os fundos de investimento às aplicações oferecidas por bancos e instituições financeiras, sua utilização vai muito além do mercado financeiro. Em determinadas estruturas patrimoniais, os fundos também podem ser utilizados para concentrar participações societárias, organizar a governança e facilitar a gestão de patrimônios familiares mais complexos.

Ao contrário da holding, em que a família participa diretamente da sociedade que detém os ativos, nessa estrutura os familiares passam a ser cotistas do fundo de investimento, que se torna o titular das participações societárias e de outros ativos previstos em seu regulamento.

Na prática, essa estrutura permite concentrar ativos em um único veículo jurídico, favorecendo uma governança mais organizada e uma administração profissionalizada, especialmente quando há diversas empresas, múltiplas gerações envolvidas e um patrimônio de maior complexidade.

Isso significa que a holding familiar deixou de ser a melhor alternativa?

A resposta é não.

A holding continua sendo uma excelente ferramenta e, para a grande maioria das famílias empresárias, permanece como a estrutura mais adequada.

O que mudou foi o grau de sofisticação do planejamento patrimonial. À medida que o patrimônio cresce e as relações societárias se tornam mais complexas, novas estruturas jurídicas passam a integrar o planejamento estratégico de grupos empresariais familiares de maior porte.

Mais do que escolher entre holding ou fundo de investimento, o verdadeiro desafio é compreender que não existem soluções universais. Cada família empresária possui uma realidade própria, e a estrutura jurídica mais eficiente será sempre aquela capaz de conciliar governança, sucessão, proteção patrimonial, eficiência tributária dentro dos limites da legislação e continuidade dos negócios ao longo das gerações.

Autor(a): Silvia Regina Hage Pacha – advogada família e sucessões e governança familiar

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